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terça-feira, janeiro 27, 2004

Shoah

Desta vez não começo com uma citação romana. Tão só uma palavra que hoje é bom de recordar, hoje, que passa o aniversário da libertação de Auschwitz-Birkenau.

Em lembrança, fica também um poema infantil, de uma criança chamada Avrham Koplowicz, que nunca chegou a ter vinte anos. Morreu em Setembro de 1944 em Auschwitz.

A Dream

When I grow up and reach the age of 20,
I’ll set out to see the enchanting world.
I’ll take a seat in a bird with a motor;
I’ll rise and soar into space.

I’ll fly, sail, hover,
Over the lovely, faraway world.
I’ll soar over rivers and oceans
Skyward shall I ascend and blossom,
A cloud my sister, the wind my brother.

I’ll marvel at the Euphrates and the Nile,
I’ll see the pyramids and the sphinx
of ancient Egypt, where the goddess Isis reigned.
I’ll fly over Niagara Falls
And immerse myself in a searing Sahara dune.
I’ll drift over the cloud strewn cliffs of Tibet
And the mysterious land of the wizards;
And once I extricate myself
From the scorching, terrifying wave of heat,
I’ll meander over the icebergs of the north.
By wing I’ll cross the great kangaroo island
And the ruins of Pompeii,
And the Holy Land of the Old Testament,
And over the land of the renowned Homer
I’ll fly slowly, slowly, hovering lazily.

And this, basking in the enchantments of this world,
Skyward shall I soar and blossom
A cloud my sister, the wind my brother


Em vez da costumeira citação, transcrevo antes o salmo XXIII...

David canticum Domini est terra et plenitudo eius orbis et habitatores eius
quia ipse super maria fundavit eum et super flumina stabilivit illum
quis ascendet in montem Domini et quis stabit in loco sancto eius
innocens manibus et mundo corde qui non exaltavit frustra animam suam et non iuravit dolose
accipiet benedictionem a Domino et iustitiam a Deo salutari suo
haec generatio quaerentium eum quaerentium faciem tuam Iacob semper
levate portae capita vestra et elevamini ianuae sempiternae et ingrediatur rex gloriae
quis est iste rex gloriae Dominus fortis et potens Dominus fortis in proelio
levate portae capita vestra et erigite ianuae sempiternae et ingrediatur rex gloriae
quis est iste rex gloriae Dominus exercituum ipse est rex gloriae semper


(A viagem à Arménia continua dentro de momentos)

sexta-feira, janeiro 23, 2004

Pax tibi Marce, envangelista meus

Veneza é a cidade impossível. Para lá das invasões nipónicas, de máquina fotográfica em riste, ou das repostagens anuais carnavalescas, existe e resiste esse encontro milenar entre o ocidente e o oriente. Existe também uma, entre tantas, ilha chamada de San Lazzaro.

Esta ilha, antiga colónia (campo de concentração) de leprosos desde o séc. XII, ostenta ainda o nome do seu padroeiro, São Lázaro. Em 1715 chegou à cidade Sereníssima um monje católico armeno, de seu nome Mechitar, fugido das perseguições turcas, a quem foi dado permissão para nessa ilha começar uma comunidade. Com 17 compatriotas recuperou a antiga igreja dos leprosos e construiu o actual mosteiro.

Em 1816, George Gordon Noel (Lord) Byron, chegou a Veneza no seu exílo voluntário, depois de passar por Génova, quando visitou o poeta Shelley e a sua mulher Mary.

Ora a minha ideia sobre o romântico Byron, passava pelo mito de Don Juan, existindo o rumor de que, em Veneza, teria "conhecido" mais de 200 mulheres. Desconhecia o facto de que, durante seis meses o poeta visitou diariamente o mosteiro de San Lazzaro degli Armeni, estudando e aprendendo a sua língua e cultura. Ao ler as suas cartas (encontram-se aqui) fiquei com vontade de, não aprender a linguagem mas, conhecer mais a cultura.

Escreveu:
"It is a rich language, however, and would amply repay any one the trouble of learning it. I try, and shall go on; - but I answer for nothing, least of all for my intentions or my success.
There are some very curious Mss. in the monastery, as well as books; translations also from Greek originals, now lost, and from Persian and Syriac etc.; besides works of their own people."


E com razão! Com uma biblioteca de 150.000 vol, inclui um Corão escrito pouco depois da morte do Profeta e obras gregas e latinas do séc. IV.

Foi lá, está aberto a visitantes (horários do vaporeto aqui), que a minha viagem começou.

(continua)

Victrix causa deis placuit, sed victa Catoni
(A causa vencedora apraz os deuses, a vencida a Catão)

Infelizmente não ainda consigo colocar fotografias. Acabo esta semana da mesma forma que os Lusíadas, com Inveja. Gostava que o Latinista fosse tão visual como outros blogues mas, at spes infracta, pelo que vou continuar a tentar.

Para fazer o relato desta última viagem, tenho de explicar porque é que a comecei, porque a desejei tanto. Tenho uma certa preferência pelas causas vencidas, pela dignidade da derrota, e o povo armeno é, sem dúvida, uma nação martirizada. Há quatro anos atrás perguntaram-me quais os três sítios que gostaria de visitar, respondi rapidamente: Crimeia, Arménia e Kamtchatka. Desde que dei essa resposta que a tenho tentado cumprir, só me faltando visitar a última, com os seus 160 vulcões (30 em actividade), fauna e flora única, e um povo tão especial, que só está aberta a estrangeiros desde 1994 (escreverei sobre esta paixão mais tarde).

O que é que as três têm em comum? Talvez terem sido palcos importantes, mas esquecidos, da história, desde a antiguidade até à guerra fria. Mas, de certeza, por neles terem ocorrido derrotas exemplares.

Voltando à Arménia, o meu interesse começou em Veneza, mais concretamente na ilha de São Lázaro.
(continua)

segunda-feira, janeiro 19, 2004

Cursum Perficio

De volta a um teclado familiar, este Latinista humilde não sabe como começar a descrever uma viagem tão planeada e pretendida. De tudo o que pretendi ver, e fazer, em quatro pequenos dias apenas faltou uma visão, logo a que o Arqueoblogo referiu:
Ararat!

Esse gigante, de que vi imensas fotografias, faz parte do cenário de Yerevan. A montanha mítica (que teve direito a uma webcam) de 5.000m estava escondida pela própria natureza, pois nevou todos estes dias e o nevoeiro era intenso.

Não pude, pois, ver isto



Assim que concluir a complicadíssima operação de transferir as fotografias da câmera para o computador, continuarei o relato...

terça-feira, janeiro 13, 2004

(em viagem)

O Latinista esta em transito. Chego amanha a Armenia.
Ha varios anos que tenho vontade de visitar este pais, com igrejas do sec. IV e uma historia problematica. Aqui deixo um link do "Matenadaran", que supliquei que fosse incluido na vista cultural que organizaram para esta visita. Tenho a certeza que varios autores de blogues gostariam de me acompanhar. Prometo um relatorio e, se conseguir, fotografias. Antevejo reunioes cheias de referencias a Nagorno Karabagh e ao genocido turco mas, com sorte, espero poder ver a enorme riqueza cultural deste pequeno pais impronunciavel: Hayastani Hanrapetut'yun.

Se o hotel do aeroporto de Amesterdao tiver internet ainda colocarei um post.
Volto a um teclado com acentos na segunda-feira.

terça-feira, janeiro 06, 2004

Tota humana notitia a sensibus surgit
(Todo o conhecimento humano começa pelos sentidos)

Ao contrário do que este princípio escolástico, que serve de título, sugere, esta entrada não é sobre os noticiários sentimentais que as nossas televisões nos fazem o favor de transmitir.

Pude, no passado Domingo, assistir ao concerto de ano novo da banda da GNR. Devo confessar que fiquei impressionado com a eficiência militar que permitiu acabar às 18.35, um concerto começado às 17.00. Com intervalo de dez minutos incluido. O caso não era para menos, pelas seis da tarde os garbosos oficiais, ministros (MAI e MNE) e mesmo o casal presidencial, para além do público comum (eu, por exemplo), consultava o relógio ao ritmo de "Paisagem Lusitana". O derby começaria às sete.

Mas o mais divertido foi o encore, que o major maestro terminou com a marcha que costumava sinalizar o fecho de emissão da RTP. Todos os convidados sorriam ao ritmo dessa música, esquecida desde o tempo em que as emissões fechavam. Agora, que em vez de fecho temos tv shopping, não sei o nome dessa marcha... Alguma boa alma sabe?
A resposta enviada para latinistailustre@hotmail.com será amplamente agradecida!




sábado, janeiro 03, 2004

Annus novus faustus felixeque tibi sit
(Que o ano novo seja, para ti, feliz e próspero)

Esta era uma conhecida forma de saudação, entre os romanos, durante o ano novo. Aproveitamos o momento para a estender a todos, pela Totus Terrae Tela, os nossos 25 leitores.

O engraçado deste fenómeno dos blogues é que muitos pensam que, por escreverem um post, deviam ser colunistas num semanário. Na realidade, o que sucede, é que em vez de se tornarem em Eduardos Prados Coelhos, aos poucos todos nós nos tornamos um bocadinho Xicos Balsemões, lendo o Sitemeter com sofreguidão!

O Latinista tem 25 leitores diários fieis, mesmo quando passam duas semanas sem escrever nada. São 25 pessoas que têm este blogue na sua rotina e isso é o melhor elogio que podemos ter. Claro que há mais leitores, especialmente graças aos blogues que nos fazem o favor de nos "linkar", mas estes 25 são os melhores. São os que não desistiram, aqueles que não merecemos. Obrigadinho!

Felix sit annus novus!

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