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quarta-feira, dezembro 31, 2003

Errare humanum est, ignoscere divinum
(Errar é humano, perdoar divino)

O indulto concedido por Jorge Sampaio a Maria do Céu Ribeiro não foi, de modo algum, divino. Mas teve o dom da ubiquidade, conseguiu incomodar todos, em todo o lado, ao mesmo tempo.

A direita dos movimentos pró-vida insurgiu-se contra a entrada em campo deste novo jogador. Os partidos de centro direita e de direita tentaram desvalorizar o incidente, pois a última coisa que lhes interessa é que o tema se mantenha ao de cima. O PSD porque não pode dar liberdade de voto aos seus deputados. O CSD porque não precisa que se note mais que são os "donos da questão". A ministra fez saber que discordava.

A esquerda reagiu bem à primeira notícia, afinal era o resultado de uma petição, mas logo compreendeu o perigo: Jorge sampaio concedeu um indulto a uma enfermeira que tinha um BMW e um Renault de 6800 contos, proprietária de vários prédios, condenada por tráfico de estupefacientes e, para piorar, falsificação de documentos.
By all means, hardly a working class hero!

A esquerda activa, leia-se BE, fingiu que gostou do sinal de Belém, mas não exagerou os festejos, afinal sempre se bateu contra indultos e amnistias.

Em qualquer dos lados, o perdão presidencial foi incómodo e, apesar de perdoar, parece que o resto ninguém esquece.

terça-feira, dezembro 30, 2003

Ad astra per aspera
(Para as estrelas, através das dificuldades)

Esta sentença latina tem várias congéneres, entre elas Per ardua ad astra. Ficou mundialmente conhecida depois do desastre com o Columbia e, por vezes, é usada para descrever as dificuldades da aventura espacial.

Per ardua ad astra é o mote da família Mulvany, na Irlanda, tendo sido adoptada pela Royal Air Force.

Isto porque ainda não há notícias do Beagle 2.





domingo, dezembro 28, 2003

Otium sine litteris mors est
(O ócio sem sem letras é a morte)

O Otium latino não tinha a carga pejorativa dos nossos tempos pós-modernos, de ética protestante, antes significava uma vida de repouso, longe de compromissos públicos.

Isto a propósito de ser óbvio que a maioria dos blogues aproveita o horário e as semanas de trabalho para serem escritos. Nas férias ninguém bloga!

sexta-feira, dezembro 26, 2003

In bibliothecis loquntur defuntorum immortales animae
(Nas bibliotecas habitam as almas imortais dos que morreram)


Saudando, também, o regresso, ou mais esta passagem por cá, do Nelson de Matos, saudo as novas edições que anuncia.
Mas já que tem respondido aos comentários "peça que a gente toca", aproveito para pedir mais clássicos!
Com os desejos de um bom ano novo.

quinta-feira, dezembro 25, 2003

Gloria in excelsis Deo

segunda-feira, dezembro 22, 2003

Adeste fideles

O hino natalício universal, mais conhecido na sua versão inglesa, tem uma origem nebulosa, chegando a sua letra a ser atribuida a S. Boaventura. Tem sido conhecido como sendo uma criação portuguesa (inclusive de origem do punho do rei), pelo facto de ser a música tocada na Missão portuguesa em Londres no ano de 1797.

A versão mais aceite indica como autor John Francis Wade (1711-1786) (ver este link ou este)

Talvez o Crítico Musical saiba alguma coisa sobre este mistério. Até lá fica aqui a letra, que a música sabemos todos.

Adeste, fideles,
Laeti triumphantes,
Venite, venite in Bethlehem.
Natum videte
Regem angelorum.
||: Venite adoremus, :||
Dominum.

En grege relicto,
Humiles ad cunas
Vocati pastores approperant.
Et nos ovanti
Gradu festinemus;
||: Venite adoremus, :||
Dominum.

Stella duce, Magi
Christum adorantes
Aurum, tus, et myrrham dant munera.
Iesu infanti
Corda praebeamus;
||: Venite adoremus. :||
Dominum.

Cantet nunc hymnos
Chorus angelorum;
Cantet nunc aula caelestium:
"Gloria, gloria
In excelsis Deo!"
||: Venite adoremus, :||
Dominum.

Deum de Deo,
Lumen de Lumine,
Gestant puellae viscera,
Deum verum,
Genitum non factum.
||: Venite adoremus. :||
Dominum.

Aeterni Parentis
splendorem aeternum,
Velatum sub carne videbimus;
Deum infantem
pannis involutem.
||: Venite adoremus. :||
Dominum.

Pro nobis erenum
et foeno cubantem,
Piis foveamus amplexibus.
Sic nos amantem
quis non redamaret?
||: Venite adoremus. :||
Dominum.

Ergo qui natus
die hodierna
Iesu tibi sit gloria
Patris aeterni
Verbum caro factum
||: Venite adoremus. :||
Dominum


segunda-feira, dezembro 15, 2003

Epistularum


Recebi esta simpática carta:

"Caro Latinista,

Aqui lhe deixo uma carta publicada hoje acerca da importância do Latim.

Imperiais cumprimentos,

João Vacas

¿«Z» o «c» de Letizia?


Con este título, la semana pasada se publicaba en ABC una carta de don José Sastre Gil. En ella nos dice que él es partidario de poner todo sonido «za, ze zi, zo, zu con la letra z». Pues bien, usted, señor Sastre Gil -sin darse cuenta- quiere cargarse todo el entramado de escribir correctamente y dejar a la gente sin «miaja» de cultura, «tamquam tabula rasa». La Real Academia de la Lengua, hace años, suprimió la «p» de la palabra psicólogo (persona que estudia la ciencia del alma). Pero al ver el disparate, la tuvo que reponer, porque sicólogo sin la «p» significa persona que estudia la ciencia de los higos. Según usted, habría que decir que los «cartajineses» eran originarios de Cartajo, y los «cadizanes» de Cádiz. ¿Cómo se debería decir: cardiograma o «corazongrama»? ¿Los que están enfrascados en el arte de Cúchares tenían que decir «toromaquia»? Según deduzco, habría que decir «el perro de San Rroque no tiene rrabo porque Rramón Rramírez se lo ha rrobado».

Hace 33 años, en el Congreso de los Diputados, a un ministro de Franco se le ocurrió decir: «más deporte y menos latín. ¿Para qué queremos el latín?». El ministro era de Cabra (Córdoba). Un diputado le contestó: «Para que a los de Cabra les llamen egabrenses y no...». Para mí, más deporte y más latín, y otro gallo cantaría.

Francisco Soler Visiedo.

Murcia.

24.XI.03
"

Caro imperialista,

Já conhecia essa história, o ministro foi José Solís e quem replicou foi o prof. Adolfo Muñoz Alonso. Ainda sobre a importância de conhecer o latim´, para usar as palavras certas, não resisto a, como por troca, reescrever esta pequena estória espanhola:

"Se cuenta la historia de un parlamentario -en su sentido más generoso-, gran aficionado al hembrerío. Cuando su señora esposa se ausentaba para ir al mercado, su señoría se presentaba en la habitación de la joven fámula de servicio con el propósito de llevar a cabo un rápido ayuntamiento, lo que hoy se dice «polvete de conejo». En aquella ocasión el fornicio se alargó en demasía y la esposa, hecha ya la compra y reintegrada al hogar, al no encontrar a su marido en el despacho, busca que te busca, lo halló en situación confusa. Más que confusa, comprometida. No pudiendo reprimir su indignada decepción, gritó con espíritu nada conciliador: «¡Sebastián, estoy sorprendida!». Su señoría, excelso dominador del idioma, hizo un escorzo muelle, abandonó los menesteres en los que se hallaba concentrado, y con voz muy queda corrigió a su ofendida esposa: «No, querida. A lo sumo estarás asombrada. Los sorprendidos hemos sido nosotros».

Aquel hombre había estudiado latín."


terça-feira, dezembro 09, 2003

Deus misereatur nostri et benedicat USA

Biblioteca do Palacio dos Direitos do Homem. Prateleira das novas aquisicoes. Treze livros. Destes, sete sao antiamericanos ou anti-Bush.
Da vontade de ser do contra, quase quero entrar na UBL!

domingo, dezembro 07, 2003

Aubade
(do antigo provençal, Albada, do Latim, albus)

Para o "morning blogger" que há em todos nós.

The Sun Rising.

BUSY old fool, unruly Sun,
Why dost thou thus,
Through windows, and through curtains, call on us ?
Must to thy motions lovers' seasons run ?
Saucy pedantic wretch, go chide
Late school-boys and sour prentices,
Go tell court-huntsmen that the king will ride,
Call country ants to harvest offices ;
Love, all alike, no season knows nor clime,
Nor hours, days, months, which are the rags of time.

Thy beams so reverend, and strong
Why shouldst thou think ?
I could eclipse and cloud them with a wink,
But that I would not lose her sight so long.
If her eyes have not blinded thine,
Look, and to-morrow late tell me,
Whether both th' Indias of spice and mine
Be where thou left'st them, or lie here with me.
Ask for those kings whom thou saw'st yesterday,
And thou shalt hear, "All here in one bed lay."

She's all states, and all princes I ;
Nothing else is ;
Princes do but play us ; compared to this,
All honour's mimic, all wealth alchemy.
Thou, Sun, art half as happy as we,
In that the world's contracted thus ;
Thine age asks ease, and since thy duties be
To warm the world, that's done in warming us.
Shine here to us, and thou art everywhere ;
This bed thy center is, these walls thy sphere

John Donne

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