<$BlogRSDUrl$>

domingo, julho 20, 2003

De Iuramento Fidelitatis
Penso ser adequado usar o título do livro de Francisco Suarez para o meu post. É, digamos, um modesto tributo...

O Doutor Freitas do Amaral escreveu uma missiva ao Expresso de hoje. Nesta carta corrige, com a reconhecida humildade, que a frase "em política, a traição é uma questão de tempo" não é da sua autoria mas de Talleyrand, pois o professor não gosta de se "enfeitar com penas de autoria alheia". Claro, usar o título de Tocqueville para o seu livro não foi um enfeite, só uma homenagem.

Mais, escreve o ex-Presidente do Mundo, conheceu e conhece casos de lealdade total e prolongada:
"(por ex., Amaro da Costa para comigo, Pompidou para com De Gaulle, Eden para com Churchill, etc.)"


Compreendemos que este seu "etc." é apenas um exercício de modéstia. Depois de se comparar com De Gaulle e Churchill (que, coitados, não conseguiram ser presidentes duma Assembleia Geral), o compagnon de route do Francisco Louçã, deve ter entendido não escrever "O Secretário de Estado do Vaticano para com o Papa e São João para com Nosso Senhor Jesus Cristo".

Esta modéstia é lhe reconhecida por todos os que, como eu, leram a sua autobiografia. Sabemos, por isso, que o senhor professor é acometido de frequentes traições... mas de memória.

Para quem, como eu, tem lido as suas outras obras ditas de ficção, podemos lembrar a frase de Terêncio:
Obsequium amicos, veritas odium parit
(a adulação granjeia amigos; a verdade, inimigos)

sexta-feira, julho 18, 2003

Bibliophilia
Passar temporadas fora da residência legal tem como resultado o encontrar uma caixa de correio a abarrotar. Para lá do desperdício de papel, encontro o ansiado catálogo (de Junho!) da Librarie de l´Amateur, de Estrasburgo.
Paragem obrigatória para quem gosta de procurar alfarrábios em ruelas escondidas (literalmente, neste caso, pois é necessário atravessar um portão e entrar num pátio para a encontrar), esta livraria possui um bonito catálogo que, além de muita literatura e alguma política, costuma incluir uma seleção de Bibliothèque Latine .
No Catálogo presente encontramos, por exemplo: L´Art d´aimer les libres, de Jules le Petit; a segunda edição francesa do Hyssope, de António Diniz (1867); Eluard e Gobineau que não acaba, e, claro uma óptima selecção latina.
Para quem não conhece, fica na Rue des Orfèvres, 24C, a 5 minutos da Place Gutemberg.

quinta-feira, julho 17, 2003

Epistularum
Eureka! - poderia eu dizer, com uma vénia, à Bomba Inteligente, pois encontrei o texto sobre o holocausto. Hoje à noite, sem falta, transcrevo-o. Aliás, noto que na blogosfera existe um filosemitismo que, nas publicações impressas, parece não existir em Portugal. Será por reacção? Relembro o excelente artigo que Pacheco Pereira escreveu, talvez no ano passado, sobre a estranha relação entre as nossas esquerdas e direitas nesta questão.

O Aviz refere O Sino da Islândia, de Halldór Laxness, que ainda não foi traduzido. Quando, no ano passado, visitei a Islândia comprei algumas traduções, inglesas e francesas, das Sagas. O meu fascínio por estas relíquias da linguística e da história foi acrescido pela visita ao interior da ilha (que queria visitar desde a leitura adolescente da viagem ao centro da terra), realmente agreste, e a realização que a sua população não vivia em casas sólidas até ao século XX. Lembro-me de ter pensado que o Dr. Adolfo Rocha teria gostado de ali viver, com as fragas e o gelo e a caça abundante.

sábado, julho 12, 2003

Quandoque bonus dormitat Homerus
(Quando, por vezes, o hábil Homero adormece)

Com esta frase, Horácio, lamenta o facto de, por vezes, Homero não estar à altura da sua própria fama e do seu trabalho. Eu, como todos, também por vezes falho a continuidade do meu, humilde, blog. Foi o que aconteceu, ao receber um convite inesperado que me afastou, por mais de uma semana, do meu teclado de computador.

O simpático e preocupado Satrius preocupou-se se a minha falta seria por causa dos esmerados adjectivos com que fui contemplado (ver entrada anterior). Claro que não!
Estou aproveitar a noite calma de Sábado para pôr a leitura dos blogues (e dos jornais) em dia, como diziam as simpáticas locutoras de continuidade - a emissão retorna dentro de momentos.

Ah, já li a Bomba Inteligente - Como vê ainda não foi desta que fiquei soterrado debaixo das estantes, como aconteceu ao pianista e compositor francês Alkan, que terá morrido quando a sua estante lhe desabou em cima (ao buscar um volume do Talmude!). Aproveito para lhe dizer que o que escreveu ("Há qualquer coisa na palavra holocausto que me provoca desconfiança") lembra-me um texto que tenho do Bruno Bettelheim. Vou ver se o encontro.

This page is powered by Blogger. Isn't yours?