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terça-feira, maio 23, 2006

Id quot circumiret, circumveniat.

Fui um espectador atento da campanha autárquica de Lisboa. Vi ao vivo os debates a quatro, não perdi nenhum dia de campanha. Carrilho perdeu porque as pessoas não gostam dele. Simplex! E sim, simplex é uma palavra latina, já antes da agência de comunicação do governo a colocar nas repartições públicas.
Tendo que escolher entre uma pessoa simpática, cujo rosto não conheciam seis meses antes, e Carrilho, o povo escolheu não votar no Carrilho.
Mas tudo isto não é novidade. O que verdadeiramente descobrimos ontem à noite, ao ver o debate na RTP, foram as qualidades políticas de Ricardo Costa. Como um político, preparou-se para o debate, pesquisou e tentou, como um sniper, anular uma a uma as posições morais dos adeversários. Relembrou que Rangel já fez uma campanha eleitoral, que a "perversa" agência de Carmona foi a mesma de Soares, que Rangel nunca fez estes ataques enquanto era director de uma televisão e, como um político num debate final, guardou para os últimos minutos a estocada final (citando o ataque de Carrilho a Morais Sarmento). Costa teve ainda o repentismo, que alguns dirão parlamentar, de terminar o debate com o soundbite da noite: "O rosto da derrota eleitoral".
Ficamos com duas notas deste prós e contras: o incómodo visível de Pacheco Pereira em estar ali no meio e a realização, por Costa, do sonho de qualquer jornalista: vencer um político no jogo deles. Ou será o jogo não é diferente?

quinta-feira, março 25, 2004

The Pessoa Award?
Um prémio como o Pessoa é suposto dar relevância a personalidades portuguesas. Talvez por isso, na sua página da internet podia aparecer uma palavra mais portuguesa do que "loading"...

domingo, março 14, 2004

Requiescat In Pace

Morreu o Cardeal Franz Koenig, que faria este ano 99 anos. Conheci-o em 1999, consciente que estava perante um dos grandes impulsionadores das mudanças do Conc?lio Vaticano II. Koenig foi Cardeal de Viena e um dos responsáveis pela eleição papal de João Paulo II, tendo tido um papel determinante nos avanços do ecumenismo dentro da Igreja Católica.

Em 1964 fundou a "Pro Oriente" que permitiu um amplo di?logo com as Igrejas do Próximo Oriente (alguém ainda se lembra desta expressão?) europeu. Foi, igualmente, durante 15 anos o presidente da Pax Christi Internacional e o director do Conselho Potif?cio para o diálogo com os não-crentes. Amigo do chanceler austríaco socialista Bruno Kreisky, lutaram juntos por um maior diálogo Noerte-Sul, tendo-se afastados apenas na questão do aborto.

Koenig foi um dos cardeais da "Ostpolitik", responsável por uma aproximação ao leste europeu, assim como ao socialismo. Conta a história que o Arcebispo de Viena, ao terceiro dia do conclave para eleger o Papa, se virou para o Cardeal Stefan Wyszynski, da Polónia e disse -"Talvez seja a altura para um não-italiano...
O cardeal polaco terá respondido - "Eu não!" - ao que Joenig repondeu -"Não, tu não, o Cardeal Wojtyla..."

Até à sua morte, o arcebispo emérito de Viena continuou activo na sua diocese, morrendo quase um ano depois do seu sucessor, Cardeal Groer, que foi acusado de pedofilia.

RIP

sexta-feira, março 12, 2004

Hic manebimus optime
(Aqui estamos muito bem)

Conheci a Carla Hilário de Almeida Quevedo, a quem não fui capaz de chamar outra coisa que não Charlotte. Mas podia ter chamado de Helena.

No seu blogue, a bomba inteligente, a Charlotte colocou o Latinista "nas termas", como que a repousar. Tem razão, tenho estado desaparecido destas lides, mas não tenho deixado de ler os outros blogues. Afinal, aqui estou muito bem.

terça-feira, janeiro 27, 2004

Shoah

Desta vez não começo com uma citação romana. Tão só uma palavra que hoje é bom de recordar, hoje, que passa o aniversário da libertação de Auschwitz-Birkenau.

Em lembrança, fica também um poema infantil, de uma criança chamada Avrham Koplowicz, que nunca chegou a ter vinte anos. Morreu em Setembro de 1944 em Auschwitz.

A Dream

When I grow up and reach the age of 20,
I’ll set out to see the enchanting world.
I’ll take a seat in a bird with a motor;
I’ll rise and soar into space.

I’ll fly, sail, hover,
Over the lovely, faraway world.
I’ll soar over rivers and oceans
Skyward shall I ascend and blossom,
A cloud my sister, the wind my brother.

I’ll marvel at the Euphrates and the Nile,
I’ll see the pyramids and the sphinx
of ancient Egypt, where the goddess Isis reigned.
I’ll fly over Niagara Falls
And immerse myself in a searing Sahara dune.
I’ll drift over the cloud strewn cliffs of Tibet
And the mysterious land of the wizards;
And once I extricate myself
From the scorching, terrifying wave of heat,
I’ll meander over the icebergs of the north.
By wing I’ll cross the great kangaroo island
And the ruins of Pompeii,
And the Holy Land of the Old Testament,
And over the land of the renowned Homer
I’ll fly slowly, slowly, hovering lazily.

And this, basking in the enchantments of this world,
Skyward shall I soar and blossom
A cloud my sister, the wind my brother


Em vez da costumeira citação, transcrevo antes o salmo XXIII...

David canticum Domini est terra et plenitudo eius orbis et habitatores eius
quia ipse super maria fundavit eum et super flumina stabilivit illum
quis ascendet in montem Domini et quis stabit in loco sancto eius
innocens manibus et mundo corde qui non exaltavit frustra animam suam et non iuravit dolose
accipiet benedictionem a Domino et iustitiam a Deo salutari suo
haec generatio quaerentium eum quaerentium faciem tuam Iacob semper
levate portae capita vestra et elevamini ianuae sempiternae et ingrediatur rex gloriae
quis est iste rex gloriae Dominus fortis et potens Dominus fortis in proelio
levate portae capita vestra et erigite ianuae sempiternae et ingrediatur rex gloriae
quis est iste rex gloriae Dominus exercituum ipse est rex gloriae semper


(A viagem à Arménia continua dentro de momentos)

sexta-feira, janeiro 23, 2004

Pax tibi Marce, envangelista meus

Veneza é a cidade impossível. Para lá das invasões nipónicas, de máquina fotográfica em riste, ou das repostagens anuais carnavalescas, existe e resiste esse encontro milenar entre o ocidente e o oriente. Existe também uma, entre tantas, ilha chamada de San Lazzaro.

Esta ilha, antiga colónia (campo de concentração) de leprosos desde o séc. XII, ostenta ainda o nome do seu padroeiro, São Lázaro. Em 1715 chegou à cidade Sereníssima um monje católico armeno, de seu nome Mechitar, fugido das perseguições turcas, a quem foi dado permissão para nessa ilha começar uma comunidade. Com 17 compatriotas recuperou a antiga igreja dos leprosos e construiu o actual mosteiro.

Em 1816, George Gordon Noel (Lord) Byron, chegou a Veneza no seu exílo voluntário, depois de passar por Génova, quando visitou o poeta Shelley e a sua mulher Mary.

Ora a minha ideia sobre o romântico Byron, passava pelo mito de Don Juan, existindo o rumor de que, em Veneza, teria "conhecido" mais de 200 mulheres. Desconhecia o facto de que, durante seis meses o poeta visitou diariamente o mosteiro de San Lazzaro degli Armeni, estudando e aprendendo a sua língua e cultura. Ao ler as suas cartas (encontram-se aqui) fiquei com vontade de, não aprender a linguagem mas, conhecer mais a cultura.

Escreveu:
"It is a rich language, however, and would amply repay any one the trouble of learning it. I try, and shall go on; - but I answer for nothing, least of all for my intentions or my success.
There are some very curious Mss. in the monastery, as well as books; translations also from Greek originals, now lost, and from Persian and Syriac etc.; besides works of their own people."


E com razão! Com uma biblioteca de 150.000 vol, inclui um Corão escrito pouco depois da morte do Profeta e obras gregas e latinas do séc. IV.

Foi lá, está aberto a visitantes (horários do vaporeto aqui), que a minha viagem começou.

(continua)

Victrix causa deis placuit, sed victa Catoni
(A causa vencedora apraz os deuses, a vencida a Catão)

Infelizmente não ainda consigo colocar fotografias. Acabo esta semana da mesma forma que os Lusíadas, com Inveja. Gostava que o Latinista fosse tão visual como outros blogues mas, at spes infracta, pelo que vou continuar a tentar.

Para fazer o relato desta última viagem, tenho de explicar porque é que a comecei, porque a desejei tanto. Tenho uma certa preferência pelas causas vencidas, pela dignidade da derrota, e o povo armeno é, sem dúvida, uma nação martirizada. Há quatro anos atrás perguntaram-me quais os três sítios que gostaria de visitar, respondi rapidamente: Crimeia, Arménia e Kamtchatka. Desde que dei essa resposta que a tenho tentado cumprir, só me faltando visitar a última, com os seus 160 vulcões (30 em actividade), fauna e flora única, e um povo tão especial, que só está aberta a estrangeiros desde 1994 (escreverei sobre esta paixão mais tarde).

O que é que as três têm em comum? Talvez terem sido palcos importantes, mas esquecidos, da história, desde a antiguidade até à guerra fria. Mas, de certeza, por neles terem ocorrido derrotas exemplares.

Voltando à Arménia, o meu interesse começou em Veneza, mais concretamente na ilha de São Lázaro.
(continua)

segunda-feira, janeiro 19, 2004

Cursum Perficio

De volta a um teclado familiar, este Latinista humilde não sabe como começar a descrever uma viagem tão planeada e pretendida. De tudo o que pretendi ver, e fazer, em quatro pequenos dias apenas faltou uma visão, logo a que o Arqueoblogo referiu:
Ararat!

Esse gigante, de que vi imensas fotografias, faz parte do cenário de Yerevan. A montanha mítica (que teve direito a uma webcam) de 5.000m estava escondida pela própria natureza, pois nevou todos estes dias e o nevoeiro era intenso.

Não pude, pois, ver isto



Assim que concluir a complicadíssima operação de transferir as fotografias da câmera para o computador, continuarei o relato...

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